TFO entrevista: Daniel Nazareth

com 2 comentários

Nestes tempos tediosos aonde tudo parece igual ou relido a exaustão, ficamos com a sensação que nada está sendo criado realmente, muita rapidez nas notícias e pouco conteúdo relevante, mas quando menos se espera algo novo aparece. Outro dia, soube da Mostra Novo Expressão de Moda, que reuniu trabalhos que debatiam a relação entre moda e arte, com curadoria de peso do Maurício Ianês e Ronaldo Fraga, fiquei curiosa e fui atrás dos participantes, afinal não é sempre que surge um evento com uma proposta tão interessante aqui no Brasil. Foi então que me deparei com a obra de Daniel Nazareth e realmente fiquei encantada com o que vi. Ele criou uma série intitulada “Fauna Flóris Desdobramentos da Natureza”, aonde pegou uma flor e transformou – a em uma série de animais incríveis!!!

Daniel Nazareth trabalha na pesquisa de padronagens de estampa, esta série abusa do cruzamento de linguagens, já que envolve moda, design e arte, um verdadeiro delírio para os olhos e  um cala boca para os que afirmam que não existe nada legal sendo criado no Brasil ou que aqui se copia tudo dos gringos. Precisamos de uma renovação e devemos apoiar os artistas que surgem com propostas novas e que não utilizam de clichês ou fórmulas prontas. Fiquei tão fascinada pela obra que um post não seria o suficiente, resolvi então fazer uma entrevista :

primeiramente para entender, a FLOR.

padrão original – todos os animais foram gerados a partir da combinação e recombinação das pétalas.

Animal 1

Animal 2

Animal 3

Animal 4

FO: Como você descreve o seu trabalho?

DN: Esteticamente, poderia dizer que existe uma grande preocupação com a forma e a combinação de cores contrastantes. Meu trabalho parte dos estudos de padrões de estamparia, mixando diferentes universos. Acho engraçado nos dias de hoje estas difinições do que é moda, arte , arquitetura, decoração etc… o interessante é o diálogo entre eles, etiquetar é chato e ultrapassado. Estamos numa era que só a recombinação pode nos trazer algo fresco para os olhos.

FO: Como surgiu a ideia da série?

DN: A idéia era criar uma terceira imagem gerada da manipulação das flores, combinadas e recombinadas até conseguir um efeito “Trompe-l’oeil”, queria conceber  um “animal de flores” ao invés de um ” animal empalhado” pois a  natureza como objeto de decoração é a grande questão deste trabalho,muitas pessoas tratam a fauna como fetiche,  colecionam animais mortos, usam peles e mesmo assim falam que amam a natureza e que ela deve ser preservada…é natural pela sociedade agir assim e isso é insano!

FO: Sua arte é Brasileira?

DN: Bem, eu sou brasileiro, tenho inspirações de todas as nacionalidades, este trabalho poderia ter sido concebido em qualquer lugar do mundo porque  reflete uma preocupação global .Sou influenciado pela cultura de diferentes paises, bombardeado por informações o tempo todo…é um mix de universos, acredito que esta série reflita uma idéia de arte brasileira, mas sem clichês.

FO: Os animais-flores possuem olhos e expressões humanas. É provável que o público se identifique com o animal baseado no que sente no momento. Seria proposital esta identificação animal-bicho homem?

DN: As pessoas se identificam com as emoções alheias sempre. O cinema por exemplo, abusa deste tipo de artifício, nesta série, as emoções estão expressadas apenas nos olhos, foi proposital colocá-las desta forma no intuito de “humanizar” os animais e fazer com que o espectador identificasse – os  melhor. Também existe a idéia de um “socorro subliminar” além da ironia da “emoção artificial”.

FO: O padrão original desta vez foi uma flor e isso dá um universo de leitura. A flor se desfaz e transforma-se em corujas assustadas, elefantes melancólicos etc. No futuro próximo, as flores são regra ou o padrão poderá se originar de outro elemento presente na natureza?

DN: Ando muito inspirado pela natureza e seus elementos, os possíveis significados da flor me deixam  muito intrigado, elas representam o amor, a dor, a paixão, a morte…são muitas coisas e tem toda uma idealização poética natural ligada a idéia da flor na nossa sociedade, elas intrigam, encantam, parecem vivas mesmo quando retradas, assim como os animais.

FO: O modismo da sustentabilidade é claramente ironizado neste trabalho. O que você pensa sobre isso?

DN: A questão da sustentabilidade é algo bem sério e eu sou a favor do eco fashion, porém  receio que como tudo na moda este pensamento seja apenas mais uma tendência e por isso brinco com esta questão, pois ela não pode ser tratada como algo passageiro e sim uma conscientização do fato que é de total urgência.

FO: Quem tem sido sua maior influência?

DN: Sou influenciado por tudo que você imaginar, ultimamente eu diria que são:  Billy Wilder, Dario Argento, Escher, Vik Muniz, Wendy/Walter Carlos, Edgar Allan Poe, Alphonse Mucha, Tarcila do Amaral, Picasso, Ryan McGinley, Tanino Liberatore, Schiaparelli, Pucci e Madeleine Vionnet antigos.

FO: Qual sua definição de beleza?

DN: A beleza é indefinível, é algo que provém da onde menos imaginamos e que nunca pode ser tocada.

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+ http://nazarethland.wordpress.com/

Imagens: Daniel Nazareth  / Texto: Veridiana Berté

2 Respostas

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  1. I-N-C-R-Í-V-E-L !!!!!!

    Gabriel

    março 26, 2010 em 1:45 am

  2. [...] Alguns sites que escreveram sobre meu trabalho: Publicado em Uncategorized por nazarethland em abril 5, 2010 No TheFashionObserver [...]


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